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sábado, 26 de setembro de 1970

Brasil no Sul-Americano de 1920

Formação do Brasil no Campeonato Sul-Americano de 1920, no Chile;
Em Pé no Fundo: Junqueira, Zezé e Fortes; Em Pé no meio: De Maria, Sisson, Castelhano, Constantino e Alvarizza; Agachados: Japonês, o goleiro Kuntz e Telefone;
Crédito: www.once-onze.narod.ru
4º Sul-Americano Chile 1920

Seguindo o programa da Conmebol de sedes rotativas, o Campeonato Sul-Americano de 1920 foi realizado no Chile e contou com as mesmas seleções dos três torneios anteriores: Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Como organizadores, os chilenos foram impecáveis. Em campo, porém, não conseguiram sair da última colocação, como em 1916, 1917 e 1919.

Contando com o apoio maciço dos torcedores de Valparaíso, cidade sede, o Chile, que estreou a tradicional camisa vermelha (La Roja), conseguiu apenas um bom resultado, empatando em 1 x 1 com a Argentina. O placar acabou beneficiando o Uruguai, que na última rodada conquistou o tricampeonato ao vencer o Chile por 2 x 1. Comandado pelo craque José Piendibene, chamado de El Maestro, o Uruguai impôs sua supremacia no futebol sul-americano no início do século. Principalmente na avassaladora vitória sobre o Brasil, por 6 x 0, na segunda rodada. O atacante Angel Romano, do Nacional de Montevidéu, sagrou-se artilheiro da competição pela segunda vez, agora ao lado do compatriota José Pérez. (Fonte: ca2011.com)

HISTÓRIA:
Setembro acabara de se iniciar naquele longínquo ano de 1920, para gáudio da população de Valparaíso, pitoresca cidade costeira situada no Chile, e que acolheu a quarta edição do então denominado Campeonato Sul-Americano de Futebol. Atraído por aquela jovem e encantadora modalidade que pouco mais do que um par de décadas antes havia desembarcado naquela região do continente americano, o povo de Valparaíso mostrou todo o seu entusiasmo ainda antes de ter sido dado o pontapé de saída do torneio, quando em massa se deslocou ao porto da cidade para receber em euforia as três seleções que juntamente com o Chile iriam dar vida ao certame. Argentina, Uruguai, e Brasil, eis os ilustres convidados recebidos no porto de Valparaíso como verdadeiros reis do futebol continental. Reis, ou astros da bola, neste caso, que na verdade foram muito poucos no Campeonato Sul-Americano de 1920, uns porque, entretanto, haviam feito a sua retirada da alta competição, caso do mago uruguaio Isabelino Gradín, outros por desavenças entre organismos internos, casos dos brasileiros Arthur Friedenreich, Neco, Marcos de Mendonça, Haroldo, ou Píndaro de Carvalho - cinco pedras basilares na conquista do título por parte do escrete (que ainda não era canarinho) um ano antes. E foi precisamente um Brasil composto por jogadores reservistas que juntamente com a seleção da casa deu a 11 de setembro o pontapé de saída de um torneio que à semelhança dos três anteriores iria ser desenrolado em sistema de poule, onde todos jogariam contra todos a uma só volta, sendo o campeão o país que somasse o maior número de pontos.

SELEÇÂO BRASILEIRA:
A seleção brasileira, que defendia o título do Sul-Americano (atual Copa América) subiu ao gramado do estádio do Sporting Club, em Valparaiso, no Chile, era composta praticamente por novatos, com oito atletas convocados pela primeira vez.

O fato esteve ligado à rixa entre São Paulo e Rio de Janeiro, que forçaram a Confederação Brasileira de Despostos (CBD) a incluir apenas atletas de times cariocas, além do Santos, na lista de convocados para o sulamericano.

A situação foi criada após a falta de diálogo entre os dirigentes. As partes, naquele ano, não chegaram a um acordo em relação às datas da Taça Ioduran, o Torneio Rio-SP da época. Os cariocas reclamaram da omissão dos paulistas, que, por sua vez, alegaram falta de datas para entrarem em campo.

A briga resultou no veto da Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA), organizadora do futebol em São Paulo até o começo da década de 1940. Insatisfeita, a entidade não liberou os atletas das equipes de São Paulo para a convocação.

Apenas o Santos, em rota de colisão com a APEA, cedeu jogadores à seleção. Dessa forma, somente um jogador da equipe campeã sul-americana em 1919, defendeu o Brasil na edição seguinte: o meia Fortes, no Fluminense. (Fonte: uol.com.br)

PAULISTAS vs CARIOCAS:
As guerrilhas internas entre as federações paulista e carioca privou então a seleção brasileira de defender o título com os seus melhores intérpretes, tendo o selecionador Oswaldo Gomes não tido outro remédio senão levar alguns jogadores de segundo plano internacional, casos do defesa Telefone - alcunha curiosa do cidadão José Almeida Netto - João de Maria, Sisson, Fortes, Zézé, Junqueira, ou Ismael Alvariza. Seria este último jogador que no relvado do Valparaíso Sporting Club - o recinto que serviu de palco aos seis encontros deste campeonato - apontou o único golo da vitória sobre um Chile em reconstrução, uma seleção moldada pelo conceituado treinador uruguaio Juan Carlos Bertone com uma mescla de experiência - com futebolistas como Manuel Guerrero, Alfredo France, ou Horacio Muñoz - e juventude - casos de Pedro Vergara, Víctor Toro, Victor Varas, ou Humberto Elgueta - e que sobretudo deixou uma imagem bem mais positiva em relação aos três torneios anteriores. Um dia mais tarde entraram em campo os velhos inimigos do rio da Prata, Argentina e Uruguai, seleções que disputaram uma partida intensa e em certos períodos desenrolada nos limites da agressividade. 1-1 foi o resultado final deste clássico das américas onde sobressaiu o génio de uma das maiores estrelas do selecionado uruguaio orientado por Ernesto Figoli, José Piendibene de seu nome. El Maestro, como era conhecido, realizou uma soberba exibição, a qual seria coroada com um golo, o primeiro desse encontro, apontado aos 10 minutos. Porém, Raul Echevarría igualou a contenda no segundo tempo quando o relógio marcava 75 minutos. Com este resultado o Brasil era líder isolado ao final da 1ª jornada, dependendo apenas de si para revalidar o título conquistado um ano antes no Rio de Janeiro, mas... do céu ao inferno o trajeto foi curto para os brasileiros nesta Copa de 1920.

Após cinco dias de descanso a competição voltou a entrar em ação no dia 18 de setembro. Frente a frente as duas seleções que haviam disputado o jogo final da edição anterior, o Brasil e Uruguai. O duelo disputado no Valparaíso Sporting Club teve um desfecho trágico para os campeões em título, já que um autêntico vendaval celeste varreu com os brasileiros do mapa do campeonato. 6-0, uma goleada que até há bem pouco tempo era a maior derrota averbada pela seleção do Brasil. A avalanche ofensiva dos uruguaios teve início aos 23 minutos, quando Ángel Romano, mais conhecido como El Loco Romano, bateu pela primeira vez o infeliz Júlio Kuntz, goleiro que na época atuava no Flamengo. Três minutos volvidos Urdinarán, na conversão de uma grande penalidade, aumentou a vantagem, sendo que ainda antes da saída para o intervalo o centro-campista José Pérez fez o terceiro. Nada corria bem a um Brasil muito desfalcado das suas grandes estrelas da altura, e logo no reatamento da partida Antonio Campolo faria o quarto da tarde. O pesadelo ganhou contornos mais vincados quando à passagem do minuto 60 El Loco Romano voltou a bater Kuntz, que não iria para o duche sem antes ir buscar por uma última vez a bola ao fundo da sua baliza, desta feita enviada, de novo, por José Pérez. Exibição de gala do Uruguai, que provou no Chile que a derrota no Campeonato Sul-Americano de 1919 não havia sido senão um mero acidente de percurso, já que era evidente que continuava a ser a mais virtuosa e letal seleção da América do Sul. (Fonte: Museu Virtual do Futebol)

Elenco da Seleção Brasileira - Brazil National Team Squad
Nome Completo Alcunha Clube
1 GK Julio Kuntz Filho Kuntz Flamengo/RJ 3 8
2 GK Ayrton Bachi de Araújo Ayrton Fluminense/RJ
3 DF João de Maria De Maria Andarahy/RJ 2
4 DF José de Almeida Neto Telefone Flamengo/RJ 2
5 DF Álvaro Martins Martins São Cristóvão/RJ 3
6 MC Rodrigo Antônio Brandão Rodrigo Flamengo/RJ 1
7 MC Augusto Maria Sisson Filho Sisson Flamengo/RJ 3
8 MC Adhemar Martins Japonês Flamengo/RJ 2
9 MC Agostinho Fortes Filho Fortes Fluminense/RJ 3
10 MC João da Cruz Junior João Andarahy/RJ
11 AT Adhemar dos Santos Adhemar América/RJ
12 AT José Carlos Guimarães Zezé Fluminense/RJ 3
13 AT Claudionor Corrêa Gonçalves Silva Nonô Flamengo/RJ
14 AT Durval Junqueira Machado Junqueira Flamengo/RJ 3
15 AT Claudionor Correia Claudionor Bangu/RJ
16 AT Constantino Mollitsas Constantino Santos/SP 2
17 AT Cypriano Nunes da Silva Castelhano Santos/SP 3
18 AT Ismael Alvariza Alvariza Brasil-P/RS 3 1
Coach: Comissão Técnica Ground Comitee Confederação Brasileira de Desportos
Primeira Participação: Kuntz, Ayrton, De Maria, Telefone, Rodrigo, Sisson, Japonês, João, Adhemar, Zezé, Nonô, Claudionor, Constantino, Castelhano e Alvarizza;
Comissão Técnica (Ground Comitee): Oswaldo Gomes e Agostinho Fortes Filho (capitão);
❏ Até 1922 não havia um Técnico propriamente dito. Quem convocava e treinava a seleção brasileira era uma “Comissão Técnica”, chamada Ground Comitee. Quem fazia o papel de técnico era o representante do time dentro de campo, o Capitão.

Campanha Brasileira

1
11 de Setembro de 1920 - Campo do Valparaiso, Viña del Mar
Chile 0 x 1 Brasil
Ficha Alvarizza, 60'

2
18 de Setembro de 1920 - Campo do Valparaiso, Viña del Mar
Brasil 0 x 6 Uruguai
Ficha Ángel Romano, 23', 60'
Antonio Urdinarán, 26'
José Pérez, 29', 65'
Antonio Cámpolo, 48'

3
25 de Setembro de 1920 - Campo do Valparaiso, Viña del Mar
Brasil 0 x 2 Argentina
Ficha Raúl Echeverria, 40
Julio Livonatti, 73'

.:: Classificação Geral ::.
Torneio Jogos Vitórias Empates Derrotas Gols Pró Gols Contra Posição
3 1 0 2 1 8
.:: Links Relacionados ::.
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