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sexta-feira, 23 de outubro de 1970

Elenco do Brasil no Sul-Americano de 1922

Formação da seleção brasileira que jogou a final com o Paraguai;
Em pé da Esquerda para Direita: Fortes, Formiga, Neco, Barthô, Laís, Palamone, Amílcar Barbuy, Heitor Doimingues, Tatu e Rodrigues; Agachado: o goleiro Kuntz;
Credito: www.trivela.uol.com.br
6º Sul-Americano Brasil 1922

O Campeonato Sul-Americano de 1922, foi a sexta edição da competição. Participaram da disputa cinco seleções: Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. A sede foi no Brasil. A disputa ocorreu em turno único, como Brasil e Paraguai acabaram empatados no turno único, houve a necessidade de um jogo desempate. A Seleção Brasileira foi a campeã. (Fonte: wikipedia.org)

História: Desde logo nesta sexta edição do torneio foi vislumbrada uma novidade: o fato de serem cinco as seleções perfiladas na linha de partida na corrida rumo ao título - já que até então a competição havia sido disputada por quatro combinados nacionais, em cada uma das anteriores edições, compreenda-se. Inicialmente o Campeonato Sul Americano de 1922 esteve agendado para o Chile, contudo o Brasil solicitou à CONMEBOL o acolhimento do torneio no sentido de comemorar com pompa e circunstância o centenário da sua independência.

Pretensão aceita, e desde pronto ficaria definido que à semelhança de 1919 o Estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, seria o palco de todas as emoções. No entanto, nem tudo na antecâmara desta edição foi motivo de festa. O episódio mais sombrio, passo a expressão, aludiu mais uma vez ao racismo que imperava naqueles dias um pouco por todo o Mundo, sendo que a nação brasileira não era exceção. Epitácio Pessoa, o Presidente da República do Brasil de então, decretou em 1921 que a seleção que nesse ano iria defender na Argentina o título conquistado dois anos antes fosse integrada apenas por jogadores de pele branca (!), fato que fez com a maior estrela da nação, Arthur Friedenreich, ficasse fora da convocatória. Com esta regra o presidente brasileiro queria evitar uma nova exposição ao ridículo do selecionado do seu país, composto por diversos jogadores de origem negra, como a que havia ocorrido em 1920, quando os argentinos apelidaram os brasileiros de macacos.

A exclusão do mestiço Friedenreich do torneio de 1921 resultou num profundo fracasso, já que a seleção não só perdeu o título para os vizinhos e eternos inimigos argentinos como também teve atuações paupérrimas. Pressionado por grande parte da população, que exigia o regresso de Fried, Epitácio Pessoa é obrigado em 1922 a revogar a lei que proibia a inclusão de negros e mestiços na equipa nacional, tendo o astro do Paulistano integrado o grupo de 18 jogadores que o treinador/jogador Arthur Antunes de Moraes e Castro, conhecido no Planeta da Bola por Laís, levou à sexta edição da Copa. Além da nação anfitriã o torneio foi disputado ainda pelo Uruguai, Chile, Paraguai e Argentina. Porém, os campeões em título surgiam no Rio de Janeiro desfalcados de uma parte significativa dos seus melhores futebolistas. Clubes como o River Plate, o San Lorenzo, o Independiente ou o Racing, alguns dos principais emblemas da nação das Pampas onde atuavam grande parte dos craques do futebol argentino de então, impediram a viagem dos seus jogadores internacionais à Cidade Maravilhosa.

O PONTAPÈ INICIAL:
No dia 17 de setembro de 1922 é dado então o pontapé de saída da Copa, entre a nação da casa e o Chile. Sob a arbitragem do uruguaio Ricardo Villarino o jogo termina empatado em 1 x 1, para deceção dos 30.000 torcedores que se encontravam nas Laranjeiras. Pior do que o empate o Brasil ficava sem a sua estrela principal, Arthur Friedenreich, que saiu lesionado do embate. Tatú fez aos 9 minutos o gol brasileiro, tendo Manuel Bravo repos a igualdade a quatro minutos do intervalo.

URUGUAI x CHILE: Seis dias depois, os chilenos que regressavam ao torneio após terem estado ausentes na edição anterior - enfrentaram o Uruguai, quiçá a grande potência do futebol sul-americano de então, mas que se apresentava no Rio sem jogadores do Peñarol, devido a divergências entre este o clube e a federação uruguaia. Mesmo sem algumas das suas principais estrelas, entre outros o maestro Piendibene, os uruguaios deram boa conta de si, e ainda antes dos 20 minutos já venciam por 2 x 0, resultado com que foi finalizado o duelo.

BRASIL x PARAGUAI: Um dia depois, cerca de 22.000 pessoas aguardavam ansiosamente nas bancadas das Laranjeiras a primeira vitória do time da casa, diante do Paraguai. Porém, as piores notícias confirmavam-se: Friedenreich não iria jogar. O craque não recuperou da lesão sofrida no jogo de estreia, e o treinador/jogador Laís optou por reservá-lo para o teoricamente complicado encontro com o Uruguai, na rodada seguinte. A ausência de Fried parece ter afetado o onze do Brasil, que logo aos 14 minutos viu Gerardo Rivas adiantar os paraguaios no marcador. Os brasileiros correram então atrás do prejuízo, mas só à passagem do minuto 71 chegariam à igualdade na sequência de um remate certeiro de Amílcar. Uma espécie de Argentina B esmagou no dia 28 de setembro o Chile por 4-0, com o destaque individual a ir para o avançado Juan Francia, autor de dois dos tentos da turma das Pampas, ele que haveria de sair do Brasil consagrado como o goleador do torneio, com quatro tentos.

BRASIL x URUGUAI: No dia 1 de outubro seria escrito um dos capítulos mais importantes não só da história do futebol como do próprio desporto a nível planetário. Com o Estádio das Laranjeiras a rebentar pelas costuras Brasil e Uruguai defrontaram-se naquele que era olhado pela imprensa como o primeiro grande jogo da Copa. O porquê deste ter sido um jogo histórico? Certamente que a resposta não se ficou a dever ao desolador nulo que subiu ao marcador no final dos 90 minutos, mas antes pelo facto deste ter sido o primeiro jogo de futebol a ser transmitido pela rádio. Este facto histórico vem desde logo contrariar a ideia de que a primeira transmissão de uma partida de futebol via rádio teria ocorrido em Inglaterra, no ano de 1927, entre as equipas do Arsenal e do Sheffield United.

A verdade é que em 1922, no terraço do jornal El Plata, em Montevideu, Claudio Sapelli, proprietário da Casa Sapelli, especializada na venda de aparelhos radiofónicos, fez o primeiro relato de um jogo de futebol, precisamente o que colocou frente a frente o Brasil e a equipa celeste. Milhares de adeptos juntaram-se nas imediações do jornal El Plata que no seu terraço instalou um aparelho telégrafo que recebia as informações do jogo do Rio de Janeiro, as quais, por sua vez, eram lidas por Sapelli através de um megafone. Do cabo do telégrafo saíam duas vias, uma para compartilhar com a multidão, e outra para que Sapelli, a partir do mesmo terraço e com o equipamento de transmissão portátil, levasse os acontecimentos do encontro a centenas de ouvintes. Este não foi contudo o primeiro evento desportivo a ser transmitido pela rádio, já que em julho desse mesmo ano, nos Estados Unidos da América, um combate de boxe teve essa honra.

Bom, voltando ao jogo, o Brasil apostou tudo na sua estrela principal, Friedenreich, paupado no jogo anterior, mas na verdade o astro foi lançado às feras em condições físicas muito limitadas, uma vez que não se encontrava totalmente recuperado da lesão contraída no encontro de estreia. Com isto, o Brasil somava o seu terceiro empate consecutivo, e só um milagre iria permitir à seleção reconquistar o título. Mas, por vezes os milagres também acontecem, como se iria verificar. E se os brasileiros precisavam da ajuda de terceiros para alcançar o primeiro lugar - recorda-se que o campeonato era disputado em sistema de poule, onde todos jogavam contra todos, sendo que à equipa que somasse mais pontos era atribuído o título de campeão - os chilenos disseram definitivamente adeus à Copa depois de terem sido batidos pelo Paraguai por três bolas sem resposta.

ARGENTINA x PARAGUAI: Quem também ficava incumbido de fazer as malas mais cedo do que o previsto era a Argentina, que no dia 8 enfrentou o vizinho e eterno inimigo da outra margem do Rio da Prata, o Uruguai. Orientados por Pedro Olivieri, os uruguaios, que até então ostentavam três títulos continentais, apresentavam como grande estrela El Loco Romano, jogador que no entanto esteve bastante longe de ser a pedra influente na manobra da equipa que havia sido nas três edições em que os charrúas saíram campeões. Ante a Argentina o herói foi Felipe Buffoni, autor do único gol.

Por esta altura, muitos foram aqueles que pensavam que depois deste triunfo o Uruguai estaria a caminho do seu quarto título de campeão, até porque os dois testes mais complicados (Brasil e Argentina) estavam já superado, e que o encontro diante do Paraguai seria o da coroação. Porém, uma arbitragem desastrosa do brasileiro Pedro Santos suspendeu a previsível festa uruguaia. O árbitro deu uma preciosa ajuda aos paraguaios, que aos sete minutos viram Carlos Elizeche fazer o único gol de um encontro que terminou de forma tumultuada, com os uruguaios a protestarem vivamente a atuação tendenciosa so árbitro.

BRASIL x ARGENTINA: Com isto a entrega do título ficava adiada, e mais do que isso permitia que o Brasil continuasse a sonhar com um desfecho feliz, mas para isso era preciso vencer a Argentina no penúltimo jogo do torneio. Sem Arthur Friedenreich, definitivamente afastado do torneio por motivos físicos, a seleção apostou tudo na experiência do trio de campeões do campeonato de 1919, isto é, em Neco, Amílcar e Heitor. E foi precisamente dos pés dos dois primeiros atletas que saíram os dois gols que bateram o guarda-redes e treinador Americo Tesoriere, fazendo com que desta forma o Brasil igualasse o Uruguai e o Paraguai no topo da classificação, com cinco pontos conquistados.

Rezam as crónicas que este foi o melhor jogo dos brasileiros em todo o campeonato, uma partida onde, finalmente, exibiram o seu futebol tecnicamente refinado e empolgante. Paraguaios que até poderiam ter resolvido a questão do título na derradeira jornada da competição, mas o goleador desta Copa, Juan Francia, não permitiu, ao apontar um par de gols que derrotaram aquela que para muitos foi a equipa sensação desta sexta edição do Campeonato Sul-Americano.

Uruguai Desiste, Brasil e Paraguai Fazem a Final:

Face a esta inédita igualdade pontual no topo da tabela no final do torneio, houve a necessidade de disputar uma segunda poule entre as três seleções empatadas. No entanto, e descontentes com a arbitragem do encontro com o Paraguai, o Uruguai decide, em forma de protesto, retirar-se da competição, deixando o caminho aberto para que brasileiros e paraguaios decidissem entre si quem seria o campeão.

A FINAL: E eis que chegamos a 22 de outubro, dia em que a nação brasileira tinha o pensamento no Estádio das Laranjeiras. Ainda sem Friedenreich e o também histórico guarda-redes Marcos Carneiro de Mendonça (que apenas atuou nos dois primeiros jogos do torneio, dando em seguida o lugar a Júlio Kuntz, por motivos de lesão) o Brasil entrou em campo determinado em não se deixar surpreender pela equipa sensação da prova, na qual pontificavam o guardião Modesto Denis - ainda hoje considerado como um dos melhores de sempre da nação guarani - o médio Fleitas Solich e o avançado Gerardo Rivas.

O corintiano Neco cedo tratou de sossegar os 25.000 torcedores que se deslocaram às Laranjeiras, quando aos 11 minutos bateu pela primeira vez Denis. O Brasil mandava no jogo, e no reatamento da partida, ao minuto 48, Formiga dilata a vantagem, tendo este mesmo jogador, a um minuto do fim, disparado para o 3-0 final. Depois de um começo morno o Brasil era bi-campeão das américas. Para eternidade ficam os nomes de Marcos, Kuntz, Palamone, Chico Netto, Barthô, Laís, Amílcar, Xingô, Fortes, Nesi, Formiga, Neco, Friedenreich, Zézé, Tatú, Heitor, Rodrigues e Junqueira, os campeões da Copa de 1922. (Fonte: Museu Virtual do Futebol)

Elenco da Seleção Brasileira - Brazil National Team Squad
Nome Completo Alcunha Clube
1 GK Julio Kuntz Filho Kuntz Flamengo/RJ 3
2 GK Marcos carneiro de Mendonça Marcos Fluminense/RJ 2 2
3 DF Luiz Bento Palamone Palamone Botafogo/RJ 5
4 DF Francisco Bueno Netto Chico Netto Fluminense/RJ
5 DF Bartholomeu Vicente Gugani Barthô AA São Bento/SP 5
6 MC Arthur Antunes de Moraes e Castro Laís Fluminense/RJ 5
7 MC Amícar Barbuy Amícar Corinthians/SP 5 2
8 MC Pedro Salvador Xingô EC Pelotas/RS 3
9 MC Agostinho Fortes Filho Fortes Fluminense/RJ 5
10 MC Luiz Ferreira Nesi Nesi São Cristóvão/RJ
11 AT Afrodisio Xavier Camargo Formiga Paulistano/SP 5 2
12 AT Manuel Nunes Neco Corinthians/SP 5 3
13 AT Arthur Friedenreich Friedenreich Paulistano 2
14 AT José Carlos Guimarães Zezé Fluminense/RJ
15 AT Altino Marcondes Tatu Corinthians/SP 5 1
16 AT Ettore Marcelino Domingues Heitor Palestra Itália/SP 3
17 AT Raphael Rodrigues Rodrigues Corinthians/SP 4
18 AT Durval Junqueira Machado Junqueira Flamengo/RJ 1
Coach: Arthur Antunes de Moraes e Castro Laís Confederação Brasileira de Desportos
Estreantes: Barthô, Xingô, Nesi, Formiga, Tatu e Rodrigues;
Capitão da Seleção Brasileira: Agostinho Fortes Filho;
Bicampeões: Marcos, Kuntz, Palamone, Laís, Amílcar, Fortes, Neco, Friedenreich e Heitor;
Comissão Técnica: Ferreira Vianna Neto, Célio de Barros e Amílcar Barbuy;

Campanha Brasileira

1
17 de Setembro - 1ª Rodada - Estádio das Laranjeiras - Rio de Janeiro
Brasil 1 x 1 Chile
Tatú Ficha Manuel Bravo

2
24 de Setembro - 2ª Rodada - Estádio das Laranjeiras - Rio de Janeiro
Brasil 1 x 1 Paraguai
Amílcar Ficha Gerardo Rivas

3
1 de Outubro - 3ª Rodada - Estádio das Laranjeiras - Rio de Janeiro
Brasil 0 x 0 Uruguai
Ficha

4
15 de Outubro - 4ª Rodada - Estádio das Laranjeiras - Rio de Janeiro
Brasil 2 x 0 Argentina
Neco
Amílcar
Ficha

5
22 de Outubro - Final - Estádio das Laranjeiras - Rio de Janeiro
Brasil 3 x 0 Paraguai
Neco
Formiga (2)
Ficha

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Torneio Jogos Vitórias Empates Derrotas Gols Pró Gols Contra Posição
5 2 3 0 7 2
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